Segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Livro sobre história indígena nas Américas será lançado em Toledo

23/03/2018
O livro “O maior genocídio da história da humanidade – povos originários das Américas, mais de 70 milhões de vítimas” terá pré-lançamento dia 20 de abril no hall do Teatro Municipal de Toledo. O evento faz parte da programação do Espaço Kahena em comemoração ao “Dia da Terra”.

De autoria dos sociólogos Marcelo Grondin e Moema Viezzer, o livro “O maior genocídio da história da humanidade – povos originários das Américas, mais de 70 milhões de vítimas” terá pré-lançamento dia 20 de abril no hall do Teatro Municipal de Toledo. A solenidade acontecerá a partir das 19h, pouco antes do show da cantora Marina Elali, e faz parte da programação do Espaço Kahena em comemoração ao “Dia da Terra”.

A publicação é resultado de quatro anos de pesquisa do casal Marcelo e Moema, aproveitando-se a vasta biblioteca disponível na casa dos autores, além de consultas à internet e outras pesquisas feitas pelos sociólogos, que relatam o que consideram como “a invasão europeia nas Américas, fato que resultou na matança de mais de 70 milhões de índios”, como apontam estimativas na publicação.

A pesquisa compreende o período da descoberta das Américas e abrange vários países e regiões como os Andes (Bolívia, Peru e Equador), México, Caribe, Brasil e Estados Unidos. “Relatamos a forma como os europeus tratavam os povos originários de todo o continente, desde do Alasca até a Patagônia. Pensamos na ideia de mostrar algo que a gente não vê nos livros escolares, quanto muito estudamos na história dos povos indígenas do próprio país. É uma visão geral do que foi a colonização das Américas pelos europeus. A escrita do livro foi um momento muito forte, onde, juntos, procuramos reaver a própria identidade, um apoio que queremos dar para o Abya Yala, que era o nome dado antigamente ao território que se conhece hoje como América”, afirma Moema.

O sociólogo Marcelo Grondin observa que, enquanto muito se fala no holocausto, que dizimou de 5 a 8 milhões de judeus, “na América, pelos contatos que tivemos com outros historiadores e estatísticas, foram mais 70 milhões de indígenas mortos. Foi um massacre, uma matança horrível”, assinala, ao se mostrar sensível quando fala neste assunto.

Naturalizado boliviano, onde morou por 17 anos, Grondin teve naquele país um contato mais próximo com os índios. “O livro conta a luta dos índios para a sua sobrevivência. Como eles lutaram e se desenvolveram”, resume.

 

CONTEÚDO DOS CAPÍTULOS

 

Divididos em cinco capítulos, o livro mantém uma sistemática semelhante para contar como foi a descoberta – que eles chamam de invasão – em cada um dos países, inclusive o Brasil, a resistência dos índios e a ressurgência, a partir do século 20, com manifestações que buscam a retomada do espaço e da cultura indígena. O primeiro trata do Caribe, hoje República Dominicana, Haiti e Ilhas de Porto Rico e Bahamas. Nessa região, o extermínio foi total, restando somente algumas peças que mostram o modo de vida dos índios que habitaram aquela região.

 

MÉXICO, BRASIL E EUA

 

No México, na época reinava o Império Asteca, mas existia toda uma trajetória de civilizações anteriores. As invasões geraram milhões de mortes.  Na região central dos Andes, abrangendo os atuais países da Bolívia, Peru e Equador, os colonizadores espanhóis aproveitaram os conhecimentos dos Incas e escravizaram os indígenas, o que resultou na morte de cerca de 8 milhões de índios.

No Brasil, detalham os sociólogos, o livro relata o quase extermínio da população indígena, que ainda não acabou. “Apesar de sinais de resistência e sobrevivência com a união dos indígenas, fico feliz de ver como as mulheres, que antes não tinham acesso à civilização branca, estão hoje junto com os homens levando esta luta intensa com relação a terra, mas também protegendo os seus próprios territórios”, enfatiza Moema.

Por fim, no último capítulo, a obra conta a conquista dos Estados Unidos. A política de estado adotada, com a participação do exército, que dizimou tribos inteiras, serviu de inspiração para Hitler, na Alemanha. Ao contrário de outros países, onde houve uma certa miscigenação, nos Estados Unidos ocorreu um extermínio total dos índios, considerados uma raça inferior. “Do Atlântico ao Pacífico, restaram apenas algumas pequenas reservas indígenas, comparado às que havia antes, e que continuam lutando para ser considerados cidadãos”, relatam.

Para os dois sociólogos, que abraçaram esta causa em conjunto, o livro tem o propósito de fazer com que as pessoas, assim como muitas vezes ocorria com eles, “deixem de ser ignorantes sobre o que aconteceu nos países”. “Queremos que as pessoas saibam a verdadeira história de nossos países, sobretudo no momento em que o Planeta Terra está vivendo. Queremos contribuir para que as pessoas considerem e respeitem as nações indígenas como população, feitas de seres humanos como nós, independentemente da cor e da origem”, sintetiza Moema.

 

(Fonte: Palavra Comunicação e Marketing)

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