Sábado, 17 de agosto de 2019

Livro que conta a trajetória de JJ Duran será lançado nesta quinta

10/04/2018
Com lançamento previsto para a noite desta quinta-feira, 12 de abril, na sede da Associação Médica de Cascavel, o livro “JJ Duran – E os livres do mundo respondem”, reúne as crônicas do jornalista argentino Juan José Duran, destacando lições de humanismo que marcaram a trajetória de vida deste jornalista argentino radicado no Brasil desde a década de 80.

MÁRCIO COUTO

 

A Editora Aldeia de Cascavel, em colaboração com a Associação Médica de Cascavel e demais apoiadores, publica o livro de crônicas e comentários do jornalista argentino radicado no Brasil desde 1980, J.J. Durán, que será lançado na noite desta quinta-feira, 12 de abril.

As crônicas de Durán são lições de humanismo no decurso de sua história/trajetória de vida. O homem. O jornalista. Os personagens se confundem a todo tempo, pois são o mesmo. Um homem fiel ao seu juramento de jornalista (1951): “Juro ser fiel à missão de lutar pela liberdade e pelos deserdados sociais e informar somente a verdade”. Um jornalista que acompanhou o último século da história da humanidade e de nossa América Latina, entrevistou os principais líderes mundiais e teve sua vida entremeada nos labirintos dos fatos que descreveu e mesmo sofreu, notadamente relativos ao duro período vivido no auto-exílio, como político distante de sua pátria.  Ele nunca esqueceu uma de suas assertivas: “Nos políticos e jornalistas jamais deve desaparecer a razão da prudência nos seus atos cotidianos. É necessário cultuar a tolerância, o diálogo e a conciliação de ideias e interesses, respeitando toda diversidade de pensamento”. Durán denunciou a utopia da justiça social para os pobres e oprimidos, o exacerbado egoísmo das classes dirigentes. E mais, foi até a essência do ser humano. Arrojado ao mundo, sem saber por que nem para que, o homem sabe que não sabe. É consciente de sua ignorância. Reconhece que o sentido da vida é um mistério e por isso o procura. “Sigo lutando pelo social, que é o sentido da civilização moderna. Quando a sociedade não persegue as metas da elevação moral, cultural e econômica, perde a sua razão de ser”.

Filho do editorialista argentino Pedro Durán, Juan José Durán chegou a Cascavel com 200 dólares no bolso e uma carta de seu irmão general Pedro Alberto Durán para o oficial brasileiro Felippe Jorge da Silva, que mais tarde comandou a 15ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Exército Brasileiro, sediada em Cascavel (eles foram colegas de curso no Panamá). Aqui ele se encantou com uma jovem brasileira, Ana Maria Theodorovicz, balconista de uma livraria, que achava curioso o argentino que ficava pedindo informações sobre a cidade e lhe observando de longe. Cascavel é palco de uma grande história de amor, portanto. Durán foi articulista/colunista político nos jornais Fronteira do Iguaçu e O Paraná, além de assessor para Assuntos do Mercosul na Prefeitura Municipal de Cascavel.

Na primeira parte do livro, os temas apresentados referem-se ao drama do ser humano e de sua atividade, no caso, o jornalismo. A liberdade de expressão encontra seu máximo valor na liberdade de imprensa. Aponta a humildade e a fraternidade como caminhos para a humanidade. Somos apresentados, também, aos seus “filhos da esperança”, quando tomou a si a missão de cuidar do ser humano, verdadeiramente. Além de seu filho biológico com a esposa Ana Maria, adotou mais 16 crianças. A apresentação preliminar é do professor, escritor e historiador Vander Piaia, ex-vice-prefeito de Cascavel, que conviveu com Durán em parte do período que atuou como assessor para Assuntos do Mercosul.

Na segunda parte, Durán escreve sobre a política e notadamente sobre os políticos do chamado Cone Sul, suas experiências como jornalista engajado nas questões sociais em vários países do mundo e da América Latina. Articulista e correspondente internacional do Jornal La Nación, de Buenos Aires, trabalhou, além da Argentina, na Espanha, França, Marrocos e Suíça. Ele afirma: “As contradições de nosso tempo são as mesmas do tempo passado”. E exemplifica, relatando momentos importantes vividos na Bolívia, Chile, Equador, Estados Unidos, México e Peru, ora como jornalista, ora como auto-exilado. Comenta sobre as necessárias reformas estruturais. Denuncia o imediatismo, a corrupção - sempre ela -, a violência, a hipocrisia e a desilusão representada pelos salvadores da pátria que perpetuam a injustiça social: “Vemos que se agarram ao poder como ostras no rochedo. Fazem dele um fim em si mesmo, o poder pelo poder, para satisfazer e encobrir tanta infâmia”.  Estamos cada vez mais longe da “Pátria Grande”. Há uma letargia democrática. Preconiza a ética e o retorno da humildade. Sua conclusão: “A verdade, a justiça e a vergonha são os únicos remédios que podem sanar uma Indoamérica enferma”. Os textos de apresentação são do jornalista, escritor e historiador Alceu A. Sperança e do professor e pesquisador Fausto Alencar Irschlinder, que gentilmente participam desta homenagem ao emérito jornalista de 90 anos de idade com a publicação de um livro/documento. Nunca o consideramos como um estrangeiro em nossa pátria. Caro J.J. Durán, os livres do mundo respondem, e agradecem.

 

MÁRCIO COUTO é médico, escritor, palestrante, vice-presidente da Associação Médica de Cascavel. É colaborador do portal Paraná Mais, sendo responsável pela coluna cultural “Travessia”.

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