Terça-feira, 12 de novembro de 2019

Setores de suínos e aves vivem momento histórico

04/07/2019
No acumulado de janeiro até junho deste ano, a suinocultura do Brasil vendeu ao exterior 247,4 mil toneladas, contra 207,8 mil toneladas em 2018 (+19%). No caso do frango, no mesmo período foram embarcadas 1,55 milhão de toneladas, contra 1,49 milhão de toneladas no ano passado (+3,62%).

Depois de passar por momentos de instabilidade nos últimos dois anos, os produtores de suínos e aves vivem um cenário de perspectivas pra lá de positivas. Em junho, o Brasil embarcou 55,7 mil toneladas de suínos e 357,74 mil toneladas de aves para o exterior, com aumentos de 100% e de 18%, respectivamente, na comparação com o mesmo mês de 2018. Em termos financeiros, a suinocultura movimentou US$ 128,1 milhões e a avicultura outros US$ 581 milhões, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

No acumulado de janeiro até junho deste ano, a suinocultura do Brasil vendeu ao exterior 247,4 mil toneladas, contra 207,8 mil toneladas em 2018 (+19%). No caso do frango, no mesmo período foram embarcadas 1,55 milhão de toneladas, contra 1,49 milhão de toneladas no ano passado (+3,62%).

A China é um dos grandes destaques nessa relação comercial que tem gerado esses números positivos. No frango, por exemplo, o gigante asiático foi responsável pela compra de 18% de todo o produto do Brasil.

Jacir Dariva, presidente da APS (Associação Paranaense de Suinocultores), projeta um período de mais 12 meses de pressão positiva na produção brasileira do setor, principalmente pelo efeito China."É a hora de o produtor repor os prejuízos, que foram terríveis nos últimos 20 meses. Com os problemas que a China vem registrando com a peste suína, com abates antecipados dos animais para evitar perdas maiores e, até mesmo, a eliminação de matrizes, isso vai gerar reflexos positivo para o Brasil. Acredito em uma demanda forte", avalia.

Além disso, no segundo semestre há um fator doméstico a mais que influenciará na dinâmica do mercado de suínos."Temos um panorama bem ajustado de oferta e demanda. E nos próximos meses há a preparação para as festas de fim de ano. Os frigoríficos já começam a trabalhar nos cortes especiais, e o mercado externo também querendo comprar carne. Algo que, até certa altura, resulta em uma pressão na cotação. Mas é algo a ficar atento, porque se for pensar bem, nós brasileiros já não temos muita carne para vender para fora", aponta Dariva.

Edmar Gervásio, técnico do Deral (Departamento de Economia Rural), ratifica que o grande fator de influência no caso da suinocultura é esse aumento da demanda por parte da China."Nos suínos, possivelmente vamos ter um aumento até 20% nas exportações saindo do Paraná, dependendo da movimentação do mercado. Nesse ano, vamos superar tranquilamente a marca das 100 mil toneladas e, quem sabe, bater próximo das 150 mil", estima. Para termos de comparação, no ano passado o Paraná exportou 107 mil toneladas de carne suína.

O aumento das exportações para o mercado chinês mexe com o ajuste de oferta e demanda internas, além de ter um efeito sobre outros setores de proteína animal. "No mercado doméstico, a diminuição do estoque pressiona os preços e acaba desencadeando uma redução da disponibilidade para o varejo, que fica com estoque limitado e toda a cadeia traz essa recuperação de preços?, explica Gervásio."A parte de aves, por exemplo, tem a mesma tendência, uma expectativa de crescimento nas exportações de mais de 5%", pontua.

Na avicultura paranaense, a estimativa é um aumento em 5% nas exportações neste ano. "O mercado internacional está altamente favorável ao frango paranaense. Somos os maiores exportadores, respondemos por 38% de todas as aves exportadas pelo país. Com as viagens que têm sido feitas pelo governo federal para vender nossos produtos lá fora, estamos com a possibilidade de habilitar novas plantas. Um total de 28 no Brasil e cerca de 14 no Paraná", revela Domingos Martins, presidente do Sindiavipar (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná).

Para Martins, o setor está preparado para esse aumento de produção. "Em termos de produção, apostamos em um crescimento de 6%, em uma situação em que há previsão de estagnação do PIB. A indústria brasileira está estagnada, mas o agronegócio, não. Temos no mínimo uns cinco anos pela frente de um crescimento sustentável na avicultura. Além do natural, pelo aumento da nossa população. Isso também será puxado pelo mercado externo, onde nós ocupamos cada vez mais espaço, pela qualidade, capacidade produtiva, alinhamento de produção e verticalização na integração", enumera.

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