Quarta-feira, 01 de abril de 2020

“Evolução Verde” preserva e gera economia no campo

09/03/2020
A Agricultura Sustentável reduz o uso de agrotóxicos nas lavouras, garante maior produtividade, menor agressão ao meio ambiente e menos custos na hora de se produzir.

Enquanto o campo se tornou bastante tech nos últimos anos, com Agricultura de Precisão, Agrointeligência e Agro Digital, resultando em muita tecnologia de ponta nas propriedades rurais, o que facilitou a vida de quem produz, o mundo está cada vez mais exigente nas questões ambientais e na maneira como os alimentos são produzidos.

Se os recursos naturais, especialmente a água e o solo, precisam ser protegidos, também é necessário que a produtividade se mantenha nos patamares que atendam a demanda mundial por alimentos, além de se trabalhar pela redução dos custos de produção e pela produção de alimentos mais saudáveis.

É nesse contexto que práticas usadas antigamente voltam com muita força na chamada Agricultura Sustentável, que se baseia no Controle Biológico e no Manejo Integrado de Doenças e Pragas, os quais conseguem reduzir custos de produção, aumentar a produtividade nas lavouras e garantir menor agressão ao meio ambiente. Ou seja, ela atende ao tripé pelo qual trabalha: ambiental, social e econômico.

Conceito e produtos sustentáveis

O conceito agroecológico da Agricultura Sustentável está baseado em uma série de produtos que ganham mais espaço nas lavouras, haja vista a necessidade de se reduzir a carga de produtos químicos para controle de pragas ou de ervas daninhas, enquanto se procura manter a produtividade, tanto em pequenas, como em grandes áreas agrícolas.

No Brasil, o Grupo de Agricultura Sustentável (GAS), integrado por pesquisadores e defensores dessa prática, garante que o conceito resulta na redução, se não na eliminação total de agrotóxicos, e contribui para reduzir também os custos da safra, garantindo maior rentabilidade ao produtor e menor agressão aos recursos naturais. Na verdade, o impacto negativo ao ambiente é praticamente zero, pois os produtos biológicos conseguem manter excelentes performances nas diversas culturas ao devolverem às plantas e ao solo a harmonia necessária para uma produção em um ambiente que resulta em plantas mais robustas, alta qualidade de grãos e sementes, com maior produtividade, independente da cultura.

Na safra que se encerra neste início de 2020, a maioria dos produtores adeptos dos princípios da agroecologia, reforçados pelas ações do Grupo de Agricultura Sustentável – inclusive pelos Fóruns Nacionais já realizados em Mineiros e Goiânia, em Goiás, e em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, nos três últimos anos – está conseguindo reduzir em torno de 80% o uso de insumos convencionais, incluídos os fertilizantes sintéticos e os pesticidas.

A missão é recuperar o solo

Um dos primeiros e grandes defensores da agricultura orgânica e da agroecologia no Brasil, o professor Adilson Paschoal, de São Paulo, criador do termo “agrotóxico”, destaca que a principal missão desse conceito sustentável no campo é recuperar o solo. “A tendência é que esse modelo de produção cresça num ritmo muitas vezes maior que a agricultura convencional, porque as pessoas estão cada vez mais esclarecidas a consumir alimentos livres de agrotóxicos”, disse certa vez. Paschoal é autor do livro “Pragas, praguicidas & a crise ambiental”, que se tornou um clássico, publicado em 1979.

Maior valor agregado

A produção de alimentos mais saudáveis também tem uma grande vantagem do ponto de vista econômico, que é a produção de alimentos com maior valor agregado, pois o consumidor está disposto a pagar mais por esse tipo de alimento com maior saudabilidade.

Ainda em termos econômicos, enquanto os agrotóxicos têm efeito na lavoura por cerca de 120 dias, precisando de uma nova aplicação após esse período, os produtos biológicos duram de dois a três anos, já estando comprovada a possibilidade de aplicação em grande escala, com excelentes resultados que vem sendo aferidos nos últimos anos nas propriedades que adotaram essa prática.

A cada dia, novos investidores são atraídos para esse mercado promissor que é a produção de micronutrientes biológicos, como os fertilizantes minerais foliares, que garantem redução nos custos de produção em até 45% e um aumento de até 50% na produtividade. “Os produtos sustentáveis aumentam a produtividade devido a maior resistência das plantas a doenças”, garantem os pesquisadores.
Isso sem falar que as exigências legais em termos ambientais cada vez mais severas em todo o mundo, visando reduzir a agressão ao meio ambiente na hora de se produzir alimentos, juntamente com uma maior pressão mundial contra o uso de agrotóxicos na lavoura.

No aspecto econômico, pode-se acrescentar, também, na lista de benefícios ao produtor rural, que a redução nos custos de produção garante, além de maior rentabilidade, a competitividade necessária, especialmente nas exportações. Para se ter ideia disso, no maior produtor de soja no Brasil, o Mato Grosso, os custos com agrotóxicos em geral chegam a cerca de 30% na composição dos custos de produção de soja, segundo o IMEA, Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária.

Isso sem se mencionar o fato de o Brasil já produzir alimentos para cerca de 1,6 bilhão de pessoas, sendo visto como um dos principais produtores de alimentos do mundo, com boas perspectivas de aumentar sua participação no mercado mundial.

Portanto, a Agricultura Sustentável é uma fórmula que não tem como falhar: maior fertilidade na lavoura, melhor controle de pragas e doenças, menor custo de produção e ainda maior valor agregado, pois os produtos elaborados de forma mais natural têm melhor preço no mercado consumidor.

* CESAR DA LUZ é jornalista, escritor, palestrante e consultor de Agronegócio, Diretor dos Grupos Paraná Mais e C.Agro.

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