Sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Usina explora energia limpa no Paraná

31/10/2020
O Paraná recebeu a primeira usina híbrida de biogás e energia fotovoltaica em grande escala do Brasil.

A cidade de Ouro Verde do Oeste passou a ter a primeira usina híbrida de biogás e energia fotovoltaica em grande escala do Brasil, com inauguração no dia 29/10/2020, um empreendimento que aproveita o potencial de geração energética da região, em especial matéria oriunda da produção de suínos, que é farta no oeste paranaense, uma das regiões que que se destaca na suinocultura brasileira.

O empreendimento é da empresa EnerDinBo, que consegue trabalhar com o passivo ambiental gerado pela suinocultura e dar uma destinação correta aos dejetos suínos, além de possibilitar a distribuição de energia para os suinocultores cooperados à empresa.

A usina já está em operação há cerca de dez meses e iniciou a distribuição de energia para a rede elétrica pouco antes da sua inauguração oficial, ocorrida em fins de outubro. O investimento foi de R$ 12 milhões, somando estrutura e equipamentos.

A unidade de biogás tem capacidade para processar 700 toneladas de dejetos de suínos por dia. Já a fotovoltaica, em processo de instalação, terá até janeiro capacidade instalada de 500 quilowatts/hora. O sistema integra 40 suinocultores. A energia gerada será usada para compensar o consumo energético nas granjas das empresas do grupo.

Thiago González, diretor-técnico da EnerDinBo, explica que o modelo híbrido (de produção de biogás e de energia fotovoltaica) garante perenidade muito maior ao projeto. “Isso porque durante o dia conseguimos usar as placas solares para gerar energia elétrica, enquanto isso armazenamos o biogás e podemos utilizá-lo à noite”, diz.

O objetivo prioritário da usina é tratar resíduos orgânicos e gerar energia elétrica limpa (e renovável), além de propiciar aumento de produção com segurança ambiental e energética das granjas. Esse sistema vai refletir em expansões e novos investimentos privados para o município, de seis mil habitantes.

Ela funciona em uma área de 48 mil metros quadrados, com três biodigestores e três lagoas aeróbicas (com a presença de oxigênio), que é onde ocorre a digestão da matéria orgânica antes de entrar no processo de combustão. Depois de degradada ela é transformada em dois produtos: biofertilizantes usados nas pastagens, depois de passar por um novo processo aeróbico, e o biogás propriamente dito, que é transformado em energia elétrica.

A usina coleta os materiais sem custo nas próprias propriedades e faz a separação da fração líquida e da fração sólida. Depois, os resíduos são transferidos para os biodigestores, onde o material passa por quatro fases até chegar ao biogás com 65% a 70% de metano, 25% a 30% de gás carbônico e demais gases como oxigênio e nitrogênio. Para a produção de energia, ocorre a conversão da energia química do gás em energia mecânica, que ativa um gerador que produz energia elétrica.

ALTA PRODUÇÃO SUÍNA

De acordo com a Assuinoeste (Associação Regional de Suinocultores do Oeste), existem mais de 16 mil propriedades rurais voltadas para essa atividade na região, com mais de 4 milhões de suínos. “Somos um grande polo de produção e os dejetos resultantes da atividade poluem o solo, a água e até a camada de ozônio. Este tipo de projeto agrega muito na qualidade de produção e na redução do passivo ambiental”, destaca o produtor Delmar Kohler, cooperado da EnerDinBo.

Quando não são tratados, os dejetos vão para o solo e chegam aos lençóis freáticos, poluindo a água consumida pela população. O processo correto também elimina vetores, como moscas, além de possíveis patógenos, fora a diminuição do odor, motivo de reclamação constante da comunidade.

Segundo o diretor comercial da EnerDinBo, Valdinei Silva, o impacto da atuação da usina está além da redução do passivo ambiental. “Vai gerar um incremento de 50% na arrecadação de ICMS do município, e de 70% na suinocultura local. Ou seja, além da geração de 30 empregos diretos, toda a cadeia é beneficiada, e nosso objetivo é aumentar cada vez mais está operação, dobrando a capacidade até o final de 2021”, ressalta Valdinei.

Tanto a luz do sol quanto o biogás produzem energia, que é transferida para a rede de distribuição da Copel e distribuída para usuários de todo o Estado. Só os dejetos de suínos são capazes de gerar 1 megawatt/hora, o que é suficiente para abastecer cerca de 2,5 mil residências. A intenção é ampliar a produção para 2,5 megawatt/hora, para alcançar até 6 mil residências nos próximos meses.
Para auxiliar esse processo, a EnerDinBo se juntou ao EDA (Energia das Américas) para fazer a distribuição aos cooperados. Serão atendidos prioritariamente CNPJs com contas que têm mais de R$ 1 mil de custo mensal com energia.

(Com base em informações da AEN/PR, com foto de Geraldo Bubniak)

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