Segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Suinocultura discute custos de produção e medidas para combater a crise no setor

13/08/2021
A crise que novamente atinge a suinocultura não se resume apenas ao sistema independente de suínos, mas também preocupa o produtor integrado.

A expressiva elevação nos custos de produção, especialmente em razão das constantes altas nas cotações de soja e milho, principais componentes da ração animal, e de outros insumos consumidos diariamente nas granjas, que chegaram a dobrar de preço no último período, bem como o aumento das despesas com mão-de-obra, são fatores que têm agravado o novo quadro de crise que se instalou na suinocultura comercial brasileira.

Enquanto isso, o preço pago pelo suíno vivo para produtores do mercado independente também está bem abaixo dos custos da produção dessa proteína animal, mesmo que as exportações de carne suína brasileira sigam aquecidas, com forte participação da China como a principal compradora da produção brasileira. No varejo, o preço dos cortes de carne suína se mantém no mesmo patamar, sem redução, e o mercado interno não tem absorvido essa alta dos custos nas granjas e mantém o preço do suíno vivo bem aquém do necessário a ser pago ao produtor, que hoje amarga um prejuízo em torno de R$ 280,00 por animal comercializado.

A crise que novamente atinge a suinocultura não se resume apenas ao sistema independente de suínos, mas também preocupa o produtor integrado, que hoje representa quase 90% da produção de suínos no caso do Paraná, que é o segundo maior produtor nacional.

Integração

Os produtores integrados, ligados às grandes agroindústrias que processam a produção de aves e suínos pelo sistema de integração, estão reivindicando uma revisão urgente no percentual aplicado aos itens que compõem suas planilhas de custos, principalmente no que diz respeito aos encargos trabalhistas. Segundo eles, há divergências entre a planilha dos produtores e a planilha adotada pela integradora, o que levou membros das chamadas Cadecs a se reunirem em Toledo, no Oeste do Paraná, nesta quinta-feira, 12, com representes da indústria, para uma análise mais detalhada dessas planilhas, e que se estude a possibilidade de se adotar uma planilha única pela empresa e produtores, que evite prejuízos ao integrado como vem ocorrendo nos últimos tempos, e que se agravou agora com a crise atual.

Mercado independente

Já no mercado spot, se tornou evidente a necessidade de uma melhor organização da classe dos produtores que atuam de forma independente, e isso é reconhecido pelas lideranças do setor, que também estiveram reunidas esta semana, em Toledo, onde debateram a crise da atividade. Um dos pontos analisados e apontado como uma das principais medidas para aliviar um pouco o quadro, além da tentativa de controlar a oferta de carne ao mercado, é a imediata redução da pauta de ICMS para vendas interestaduais de suínos do Paraná, que atualmente é de 12%.

Na reunião dos produtores independentes, realizada na manhã da última quarta-feira, 11, ficou decidida a criação de uma comissão que irá tratar da redução do ICMS, no Paraná, junto ao Governo do Estado, além da adoção de medidas que busquem elevar o consumo per capta, ainda muito baixo no Brasil, se comparado a outros países. Nesse sentido, sugeriu-se a realização de uma campanha de incentivo ao consumo, e a inclusão da carne suína no cardápio das escolas estaduais e do sistema carcerário no Paraná, que segundo dados recentes, tem uma população acima de 28 mil detentos.

Encaminhamentos

As reuniões de produtores de suínos, independentes e integrados, realizadas esta semana, em Toledo, foram organizadas pela Associação Paranaense de Suinocultores (APS), e no caso das questões relacionados ao sistema de integração, contaram com o suporte técnico da Federação da Agricultura do Paraná (FAEP) e de consultores dos sistemas suinícolas estadual e nacional, que procuraram dar encaminhamento às questões na busca por medidas saneadoras, com ações mediatas e imediatas, para serem empregadas a curto, médio e longo prazo, sendo que no caso dos integrados, a indústria integradora pediu um prazo até o dia 1º de setembro para confrontar as planilhas da empresa com a dos produtores, afim de se eliminar divergências relacionadas ao conceito da matriz de custos com mão-de-obra. Decorrido esse prazo, ficou acertado que membros da Cadec das unidades produtoras de leitões, as chamadas SPLs e SPDs, voltarão a se sentar com representantes da empresa, na tentativa de se chegar a um acordo sobre o percentual que deve ser observado como despesas com pessoal nas granjas integradas, além de outros pontos que preocupam o produtor.

 

Fonte: Assessoria/APS

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